Cinquenta mulheres estrangeiras e de pele escura chegam à costa da Grécia em busca de asilo depois de deixar o Egito. Assim começa a peça ‘As suplicantes’ de Ésquilo, escrita por volta de 470 a.C. Por muito tempo esta peça foi vista como inferior em comparação com suas outras obras, mas vive atualmente uma renascença particular, gerada também pela mudança das prioridades da nossa sociedade. O coro das Danaides, protagonista coletivo e feminino, encontra-se em plena fuga para evitar que sejam obrigadas a casar com seus violentos primos. Numa disputa verbal com o rei de Argos, elas tentam convencê-lo a cumprir com seu dever sagrado de anfitrião, enquanto, em seu encalço, surgem os homens perseguidores das Danaides, transpirando soberba e violência. Mas o Rei não pode decidir sozinho. Na curiosa mistura de monarquia e democracia representada na peça, é preciso que os cidadãos de Argos decidam. E eles optam por oferecer abrigo às Danaides. Contrariando o arauto egípcio que bradava que ‘a vitória e o poder seriam dos homens’, o coro feminino encerra a peça exclamando: “e que distribua o poder às mulheres!” Fica aqui o convite para ler a peça e descobrir suas imensas relações com o nosso tempo!


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