Que tal comentarmos ótimos ficções que têm a Grécia antiga como palco? Selecionamos cinco para inspirar o seu desejo pela leitura e pelas histórias gregas..

 5º. lugar: A Filha de Homero (Robert Graves)

 

Esse livro trata de uma teoria interessante: a de que a Odisseia não tem um autor, mas uma autora: a princesa Nausícaa de Drepanun, na Sicília. Inspirado pela tese de Samuel Butler sobre a autoria feminina da Odisseia, Robert Graves conta, em forma de romance, a história de Nausícaa e a série de acontecimentos na qual ela se vê enredada – e que a coloca em sério perigo – a inspira para escrever a epopeia de Odisseu. Uma leitura curiosa e criativa.

 

4º. lugar: A Canção de Aquiles (Madeline Miller)

 

Um best seller e vencedor do Prêmio Orange de Literatura em 2012, A Canção de Aquiles também foi responsável por tornar popular a história de Aquiles e Pátroclo entre os jovens – vide a enorme quantidade de fanarts e fanfics sobre os dois – um mérito sempre notável. Quem conta a história é Pátroclo, desde a sua infância negligenciada, passando pelo episódio do assassinato involuntário, até chegar a conhecer Aquiles e o desenlace trágico dos dois na Guerra de Tróia. De maneira delicada e tocante, Pátroclo narra o seu inesperado amor por Aquiles, como foi amar e ser amado por ele e como os dois tentam sobreviver ao que o destino reserva. Uma prosa poética e que sempre remete a Homero, tem ausência de figuras femininas que combinem força e benevolência, mas ainda assim é uma leitura marcante.

 

3º. lugar: A Canção de Tróia (Colleen McCullough)

 

Mais antiga do que A Canção de Aquiles, esta canção começa com o rei Príamo narrando a história de Tróia, e se desenrola em capítulos de diferentes autores – Aquiles, Odisseu, Agamêmnon, Helena, Briseida, entre outros personagens – que, contando as suas histórias, ajudam a tecer o fio da Guerra de Tróia durante os seus dez longos anos – um detalhe, inclusive, que é valorizado na narrativa e afeta sensivelmente os envolvidos na guerra. Cada personagem é uma mistura entre a tradição homérica e a criatividade da autora, um verdadeiro deleite para o leitor. A única exceção é Menelau, que lamentavelmente é um personagem raso e nem chega a narrar nenhum capítulo. O rei de Esparta merece mais… tirando essa falta, é uma narrativa envolvente que mistura homens e mulheres, gregos e troianos em uma história que, recontada, só aumenta em beleza.

 

2º. lugar: Salamina (Javier Negrete)

 

Diante da ameaça persa, o mundo grego só tem como opções unir-se ao colossal Império Aquemênida ou tentar uma absurda resistência. Acompanhe a trajetória de Temístocles, uma mente inquieta e ambiciosa que tem como intuito fazer com que Atenas se erga acima de toda a Grécia – e erguer a si mesmo no processo. A vida de Temístocles é contada passando pela Batalha de Maratona, Termópilas e desembocando na Batalha de Salamina, um dos confrontos decisivos para a resistência grega e para a sua posterior vitória. Uma narrativa contagiante que nos apresenta Milcíades, Címon, Xerxes, Clístenes e tantos outros personagens de maneira autêntica e cativante, com o bônus de duas personagens femininas – Apolônia e Artemísia – que representam duas forças distintas da mulher em um mundo tão difícil. Para relembrar a História e vê-la com um novo olhar.

 

1º. lugar: Portões de Fogo (Steven Pressfield)

 

Um soldado vivo é encontrado sob os corpos que restaram dos 300 nas Termópilas. Ele é Xeones, um hilota e estrangeiro que foi viver entre os espartanos, e agora o único que pode contar ao rei Xerxes o que ele tanto deseja ouvir sobre aquele peculiar inimigo – um que, com tão poucos, foi capaz de levar tantos do seu exército para a morada dos mortos. O que faz com que os espartanos sejam o que são? Cabe a Xeones aceitar a missão de contar a história deles. Com uma habilidade quase surreal, Steven Pressfield recria uma Esparta que nunca pareceu tão próxima de nós: longe da miragem que fala apenas da brutalidade e dos estranhos costumes da Lacedemônia, ele parece relatar o que está vendo. Seus espartanos são tão reais em suas nuances que nos sentimos como se pudéssemos vê-los também. Seja no experiente Dienekes ou no sensível Alexandros, Esparta aparece viva e pulsante. Em suas formidáveis mulheres, em seus soldados únicos, em seu rei Leônidas e até mesmo em seus hilotas há sempre algo a mais para contar, e o livro o faz com uma maestria que chega a ser comovente. Uma história poderosa e indispensável para quem quer se sentir ao lado desses soldados.


Laís Pazzetti

Graduada em Filosofia e apaixonada por História Antiga, especialmente da Grécia. Aspirante a escritora, espera um dia compartilhar os seus contos sobre os gregos e mostrar por que eles continuam incríveis.

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