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próximo minicurso:

“Quando então alguém, subindo a partir do que aqui é belo, através do correto amor aos rapazes, começa a contemplar aquele belo, quase que estaria a atingir o ponto final”  (Platão, Banquete, 211b-c)

 

O Banquete é uma das obras mais belas e célebres da história da filosofia. Partindo de vários discursos sobre Eros, o texto culmina na famosa imagem da escada erótica de Diotima: uma descrição de como um amante poderia contemplar o Belo em si. Menos explorado, no entanto, é o retrato que o Banquete apresenta das práticas homoeróticas do seu tempo. A pederastia grega é o lugar a partir do qual se pode falar sobre Eros, é a prática social que permite entender a relação entre amante e amado. Entender o Banquete, portanto, é também lê-lo como um comentário sobre o homoerotismo na Atenas clássica. Crítico da política e dos costumes de seu tempo, Platão tece, pelas falas de seus personagens, tanto elogios quanto críticas à pederastia como era então instituída. Longe de condenar o homoerotismo, o que ele propõe ao cabo do diálogo é uma forma
mais intensa e verdadeira de manifestação de Eros, que ajuda a compor a sua conhecida Teoria das Ideias.

Neste Minicurso, ofereceremos uma leitura introdutória ao Banquete. Daremos foco à representação das práticas homoeróticas na Atenas clássica e à reforma filosófico-erótica proposta por Platão. Ao fim, quem sabe sejamos capazes de subir ao
menos um degrau rumo à compreensão da filosofia platônica e da homossexualidade grega.

AULA 1
AMORES GREGOS:
A PEDERASTIA, A NATUREZA DE EROS E A ORIGEM DO AMOR

Qual a natureza de Eros? Como deve se dar a relação entre amante (erastês) e amado (erômenos) na pederastia grega? Por que nos apaixonamos? Como lidar com o amor? Estas são algumas das perguntas que os discursos de Fedro, Pausânias, Erixímaco e Aristófanes tentam responder em o Banquete. Nesta aula, analisaremos esses discursos, visando compreender tanto a dinâmica envolvida nas práticas homoeróticas gregas quanto as possíveis críticas que circulavam na época. Discutiremos como muitos dos argumentos e imagens evocados nessas passagens, embora dirigidos como elogios à divindade grega, ainda exercem forte influência na nossa cultura e no nosso modo de enxergar o amor.

AULA 2
AMOR PLATÔNICO:
O BELO EM SI E O RESSENTIMENTO DE ALCIBÍADES

A expressão “amor platônico”, embora não corresponda precisamente à concepção socrático-platônica de Eros, encontra lastro na segunda metade do diálogo, em que Platão propõe uma reforma radical no modo de compreender o amor. Não mais se limitando ao desejo corporal, Diotima descreve, em narração de Sócrates, um processo erótico pelo qual seríamos capazes de contemplar o Belo em sua pureza ideal. O discurso, um dos mais influentes na história da filosofia, é seguido pela entrada de Alcibíades, amante de Sócrates que chega bêbado ao banquete e começa a difamar o filósofo, reclamando de sua incapacidade de corresponder ao desejo corporal. Nesta aula, analisaremos não só o sentido filosófico do discurso de Sócrates sobre o Belo em si, mas também a significância de sua ambígua relação com o belo Alcibíades, de modo a compreender a potência erótica de que trata Platão tanto na teoria quanto na prática.

Luiz Eduardo Freitas

Mestre em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) com pesquisa financiada pela FAPESP e pelo CNPq. Graduado em Filosofia pelo Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense (ICHF/UFF) com bolsa de IC do CNPq. Atualmente, doutorando em Filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), com pesquisa financiada pela FAPESP e pelo CNPq. Sob orientação do Prof. Roberto Bolzani, pesquisa a filosofia e a obra de Platão, com enfoque na psicologia moral e nos aspectos dramáticos dos 'Diálogos'.

em razão da grande quantidade de inscritos, o evento está ocorrendo pelo youtube:

debates e minicursos passados:

Alguns estão disponíveis no Youtube