Grupo de Leitura Civilização Grega

 1. Apresentação
O Grupo de Leitura ‘Civilização Grega’ é um espaço para se exercitar a leitura e interpretação de textos fundamentais da cultura grega a partir de uma conversa horizontal e coletiva entre todos os (as) inscritos (as). O Grupo possui um plano de estudos delineado pelo prof. Félix Jácome, diretor do Instituto Mundo Antigo, que atua como mediador do Grupo. Ele acompanha a turma em todos os encontros, contextualizando os textos e apresentando metodologias e chaves de leitura. Diferentemente dos nossos Cursos, o Grupo se dedica às obras antigas e funciona com turmas limitadas de 15 a 20 pessoas, nas quais todos (as) são convidados (as) a participar via webcam, áudio ou chat.
Criaremos, assim, um saber coletivo acerca dos textos gregos e da maneira como eles foram interpretados ao longo do tempo. Os participantes serão co-autores do debate, formulando questões para discussão e ensaiando suas próprias interpretações em torno das obras analisadas. 
 
2. Metodologia
Os encontros ocorrerem de maneira remota pela platafoma Zoom nas datas indicadas neste programa. As sessões são gravadas e disponibilizadas temporariamente para os inscritos, com o intuito de ajudar quem tenha perdido alguma sessão. Nós recomendamos, contudo, que os participantes estejam presentes nos encontros sincrônicos. 
Em cada sessão, uma  introdução é feita no sentido de contextualizar, do ponto de vista literário, histórico ou filosófico, a obra ou o seu extrato. Os participantes alimentam o debate com suas observações, comentários e dúvidas, partindo da leitura prévia dos textos selecionados. O mediador também participa do debate, especialmente quando surgirem questões mais técnicas ligadas à linguagem dos textos ou seus contextos específicos de composição. 
Uma bibliografia teórica sobre as obras estudadas será fornecida aos participantes, bem como o calendário com todos os textos a serem analisados em cada encontro dentro do(s) módulo(s). Também serão entregues folhas com roteiros e guias que facilitam a leitura das obras.
Extratos de textos envolvidos nas discussões serão fornecidos aos participantes. No caso de obras a serem lidas na íntegra (vide plano de estudo), a aquisição dos livros é de responsabilidade de cada participante. O mediador fornecerá uma lista com as traduções recomendadas.
3. Objetivos
a. Desenvolver a leitura crítica e direta de obras fundamentais da civilização grega em um ambiente horizontal e coletivo de debates, com carga horária suficiente e encontros regulares para que se possa aprofundar a interpretação dos vários significados destes textos.
b. Apreciar os temas e inquietações que emergem dos autores antigos e que podem encontrar ressonância nos nossos próprios dilemas contemporâneos.
4. Público Alvo

Qualquer pessoa adulta que se interesse pelos autores e obras elencadas neste grupo de estudos. 
É necessário comprometimento para a leitura prévia das obras ou de extratos delas, pois só assim poderemos ter um debate rico nos nossos encontros. 
5. Forma de inscrição e pagamento
A inscrição é feita mediante a assinatura mensal do Grupo de Estudos, que custa 200 reais. Essa assinatura não gera fidelização, assim você não é obrigado a continuar no grupo no mês seguinte e pode desistir de um mês para outro. Com o seu primeiro pagamento, você se inscreve para o mês de fevereiro.
A turma é limitada a 20 pessoas, sendo formada por ordem de inscrições efetivamente pagas. 


Plano de Estudos 2022

Organizador e mediador do Grupo de Leitura:

Félix Jácome Neto

Félix Jácome Neto

Pesquisador de Pós-Doutorado em Letras Clássicas na Universidade de São Paulo.
Doutor e Mestre em Estudos Clássicos - Mundo Antigo - na Universidade de Coimbra (Portugal).
Graduado em História na Universidade Federal da Paraíba.
Fundador e Diretor do Instituto Mundo Antigo, um Centro independente de estudos e cursos acerca das civilizações da Antiguidade.

Módulo 1
A Odisseia de Homero: fim do tempo dos heróis?


8, 15, 22 de fevereiro, 8, 22, 29 de março (terças 20h - 22h)

"A menos força numa inovação artificial do que numa repetição destinada a sugerir uma nova verdade".

Marcel Proust
Para um (a) leitor (a) que se aventure pela primeira vez pelos poemas homéricos, a frequente repetição de palavras e frases no texto de Homero causa um efeito desconcertante, estranho à nossa concepção literária moderna que normalmente valoriza a criatividade e inovação. Essa característica central da Ilíada e da Odisseia deve servir de alerta de que estamos lidando com obras bem distintas das que estamos habituados, uma vez que foram fruto de uma composição poética oral cujo funcionamento podemos identificar no texto por meio destas repetições. Elaborar novos sentidos através da reiteração do que já é conhecido, essa é a grande arte de Homero que investigaremos por meio da leitura em conjunto de extratos selecionados da Odisseia .  
A Odisseia celebra o retorno para casa de Odisseu, após vinte anos ausente por conta da Guerra de Troia e de seu desdobramento. Ao fazer isso, o poema igualmente parece cantar o próprio fim da geração de heróis e de suas façanhas extraordinárias. A Odisseia insere no coração mesmo da definição de heroísmo atitudes prosaicas e humanas, como a astúcia, o medo, o sofrimento e a necessidade de sobrevivência diante da intempéries da vida. Trata-se, assim, de uma obra que remete a temas que ainda discutimos bastante, como a nostalgia da terra natal; a ideia de fidelidade e expectativas de gênero entre esposa e marido; as aventuras e desventuras de empreender uma viagem de descobrimento de si próprio; o luto diante de uma pessoa desaparecida; a relação entre pais e filhos, entre outros. 
 

Módulo 2
Os heróis também choram:
lições da tragédia grega sobre o luto e o sofrimento


12, 19, 26 de abril, 10, 24 e 31 de maio (terças 20h - 22h)

"Ai! Ai! Raça de seres efêmeros, de lágrimas cheia e sofrimentos, vede como à margem do que se espera caminha o destino".

Eurípides, Orestes
Neste módulo, leremos conjuntamente três tragédias gregas: Édipo Rei e Antígona, de Sófocles, e Bacantes de Eurípides.  Os poetas trágicos formaram as intrigas das suas peças teatrais a partir de um restrito grupo de mitos advindos da poesia épica. A ação trágica  concentra-se normalmente sobre um evento particular que ocorre em determinado dia e exige a atenção de um grupo reduzido de personagens que devem ponderar a situação e tomar decisões. Frequentemente, as personagens trágicas não possuem consciência de todos os meandros da situação, mas devem agir assim mesmo, o que muitas vezes gera um descompasso entre as suas atitudes e as expectativas da comunidade ou dos deuses. 
Via de regra os eventos na tragédia acarretam sofrimento e perdas, com os quais as personagens devem lidar de forma a conseguirem tomar decisões sobre para qual lado do destino se virar. Ao fazer isso, as peças trágicas nos brindam, a partir da alternância entre partes dialogadas das personagens e os cantos corais, com uma profunda reflexão sobre o lugar da dor e do luto nos assuntos humanos, algo que procuraremos debater a partir das obras escolhidas. 
 
 

Módulo 3
Histórias de Heródoto e a invenção da prosa historiográfica


14, 21, 28 de junho, 12, 19, 26 de julho
(terças 20h - 22h)

"Meu dever é informar tudo o que escuto e não, portanto, dar crédito a tudo o que exponho".

Heródoto, Histórias
Em Heródoto, os grandes guerreiros do passado longínquo não são mais as figuras heroicas, como em Homero. Os protagonistas, em Heródoto, são os homens (ordinários ou líderes) que se envolveram nas Guerras Pérsicas. Esta mudança de foco do passado remoto dos heróis para o passado recente dos feitos humanos é um ingrediente essencial na construção de um gênero textual – a escrita da História – que busca entender as causas dos acontecimentos humanos dentro de um ‘espaço histórico’ que pode ser investigado.  
Com Heródoto, assim, nós passamos da poesia à prosa. A prosa surge como um modo de expressar ideias e pensamentos que rivaliza com a poesia e seu mundo heroico, ainda que seja muito influenciada pela épica. Heródoto combinou o foco geográfico e etnográfico de pensadores anteriores, como Hecateu, com uma ampla narrativa acerca do crescimento do poder da Pérsia e seu confronto com a Grécia entre 499 e 479 a.C. Sua obra, por esta via, é vasta, assim como a sua relevância enquanto fonte de informação não apenas sobre a História da Grécia Arcaica como também para a reconstrução de povos não-gregos, como persas e egípcios. 

Módulo 4
A República de Platão:
o homem justo e a cidade ideal


09, 16, 30 de agosto, 13, 20, 27 de setembro (terças 20h - 22h)

"SÓCRATES: A justiça é um vício? TRASÍMACO: Não, apenas nobre ingenuidade. SÓCRATES: Então você chama a injustiça de desonestidade? TRASÍMACO: Não, eu chamo isso de ser prudente".

Platão, República

Por vezes a pessoa injusta, ao atuar da maneira como lhe é mais vantajosa, logra muitos créditos na vida e obtém muitas recompensas, ao passo que o justo pode ficar desprovido de qualquer grande recompensa por agir justamente. Por que, então, alguém escolheria o caminho da justiça, mesmo quando não se consegue nada além disso? 

Essa é uma das questões centrais que dinamiza o arcabouço argumentativo de A República de Platão, um diálogo filosófico que investiga, por meio de vários prismas, o que é a justiça e qual a relevância de se buscar a justiça como um fim em si mesmo. Platão, assim, discute uma série de importantes temas relacionados à justiça: o que seria uma cidade justa? qual seria a melhor educação para homens e mulheres em vistas a se ter cidadãos justos? Quem deveria governar e quais as virtudes mais caras aos governantes? Quais os vícios que corrompem a justiça, tanto do indivíduo como da cidade? Discutiremos essas e outras questões a partir da nossa leitura coletiva de passagens selecionadas desta obra-prima de um dos maiores filósofos da cultura ocidental.

Módulo 5
A Política de Aristóteles:
a comunidade justa e as imperfeições da democracia


11, 18, 25 de outubro, 08, 22, 29 de novembro (terças 20h - 22h)

"Pois é buscando a felicidade de diferentes maneiras e por diferentes meios que grupos individuais de pessoas criam diferentes modos de vida e diferentes constituições".

Aristóteles, Política

Neste último módulo, leremos passagens escolhidas de a Política de Aristóteles, um dos principais tratados de filosofia política escrito na Antiguidade a que temos acesso. Para Aristóteles, a política é um prolongamento da ética, de forma que a melhor constuição política para a cidade-estado, objeto central de investigação da obra, será esta que permita aos cidadãos escolherem a forma mais digna de vida.

A imbricação entre ética e política permite a Aristóteles dissertar sobre uma gama de tópicos em a Política: a variedade de virtudes que os habitantes das cidades-estado possuem, incluindo a questão de se a escravidão advém de uma condição natural ou convencional; a definição do que é uma cidade-estado e do que são os seus principais regimes políticos: oligarquia, aristocracia e democracia.  

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A inscrição é feita mediante a assinatura mensal do Grupo de Leitura, que custa 200 reais. Com seu primeiro pagamento, você se inscreve para o mês de fevereiro. Essa assinatura não gera fidelização, assim você não é obrigado a continuar no grupo no mês seguinte e pode desistir de um mês para outro. A turma é limitada a 20 pessoas, sendo formada por ordem de inscrições efetivamente pagas.

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